Bruxismo: por que o tratamento não pode focar só nos dentes

Uma dúvida comum é: por que falamos tanto de bruxismo, mesmo quando ele não é a queixa principal?

Porque, na prática, nós tratamos diariamente as consequências dele.

E, na maioria das vezes, elas aparecem antes mesmo do diagnóstico.

O bruxismo não é só um hábito — é uma atividade do sistema nervoso central

Hoje, a ciência entende o bruxismo como uma atividade relacionada ao sistema nervoso central.

Ou seja, não se trata de um problema local, nos dentes ou na mordida.

Ele pode acontecer:

  • durante o sono

  • durante o dia (bruxismo em vigília)

No bruxismo em vigília, o mais comum é o apertamento — muitas vezes associado a concentração, tensão ou esforço.

E, em grande parte dos casos, o paciente não percebe.

O que vemos na clínica são as consequências

O que vemos quando o paciente está na nossa cadeira, são sinais como:

  • desgaste dentário

  • trincas

  • fraturas

  • sensibilidade

  • necessidade de tratamento de canal sem cárie

Existe um número expressivo de casos em que o dente sofre uma lesão interna por trauma repetitivo do apertamento, e não por cárie.

Com o tempo, esse excesso de carga pode levar até à perda do dente.

Bruxismo causa dor? Nem sempre

Um dos pontos mais importantes, e que muitas vezes gera confusão, é a relação com a dor.

A literatura científica mostra que:

  • o bruxismo pode existir sem dor alguma

  • desgaste severo pode estar presente em pacientes assintomáticos

  • a dor, quando aparece, costuma estar mais relacionada a músculos ou articulações

Isso exige cuidado no diagnóstico.

Nem toda dor orofacial é causada por bruxismo — e nem todo bruxismo causa dor.

Quando o dente quebra, o problema já evoluiu

Em fases mais avançadas, o paciente pode apresentar:

  • fraturas extensas

  • perda estrutural

  • necessidade de reabilitações mais complexas

É nesse momento que entramos para reconstruir.

Mas sempre com uma pergunta em mente:

o que levou esse dente até aqui?

Tratar só o dente não resolve

Se a causa não for considerada, o ciclo tende a se repetir.

O paciente reabilita… e, com o tempo, pode voltar ao mesmo problema.

Por isso, o tratamento não pode ser isolado.

Ele precisa ser pensado de forma completa e contar com um especialista em DTM também.

Botox no bruxismo: por que essa indicação precisa de cuidado

O uso da toxina botulínica no bruxismo se tornou mais comum nos últimos anos.

Mas aqui existe um ponto fundamental — e baseado em evidência científica:

o bruxismo é uma atividade do sistema nervoso central, enquanto o botox atua no sistema nervoso periférico.

Isso significa que:

  • o botox não atua na origem do problema

  • não modifica o padrão neurológico do bruxismo

  • não deve ser considerado tratamento da condição em si

Revisões sistemáticas mostram que, embora possa haver redução de força muscular em alguns casos, isso não representa controle da atividade central.

Além disso, o uso inadequado pode:

  • comprometer a função mastigatória

  • gerar sobrecarga em outras estruturas

  • criar uma falsa sensação de resolução

Por isso, sua utilização não é indicada como tratamento do bruxismo, especialmente quando pensada de forma isolada.

Por que a abordagem precisa ser multidisciplinar

O bruxismo envolve múltiplos fatores:

  • neurológicos

  • comportamentais

  • emocionais

  • musculares

Isso exige uma abordagem integrada.

Essa visão está diretamente alinhada com a forma como conduzimos os tratamentos com a Dra. Érica Lorenzetti — baseada em ciência, planejamento e trabalho em equipe .

Porque não tratamos apenas dentes.

Nós cuidamos de pessoas.

O que buscamos no tratamento

Nosso objetivo é:

  • entender a causa

  • controlar fatores de risco

  • reabilitar com previsibilidade

  • preservar o resultado ao longo do tempo

Mais do que reconstruir, buscamos estabilidade.

Cada caso é único

O bruxismo não se manifesta da mesma forma em todos os pacientes.

E, por isso, não existe uma única forma de condução.

Cada caso precisa ser avaliado com cuidado, para que o tratamento faça sentido dentro da realidade de cada paciente.

Se você percebe sinais como desgaste, apertamento ou fraturas dentárias, uma avaliação individual é o melhor caminho para entender a causa e definir o cuidado mais adequado.

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